Posted by Dayane Iglesias |
2014 começou com uma sentença de morte para o Facebook. Em janeiro, a firma de pesquisas Global Web Index publicou um estudo mostrando que o Facebook perdeu quase um terço de seus usuários adolescentes nos Estados Unidos no ano anterior. Manchetes declararam a rede "morta e enterrada".


Avanço rápido para o presente e o Facebook está relatando um crescimento recorde. A companhia faturou 2,96 bilhões de dólares em publicidade no terceiro trimestre de 2013, 64% a mais que um ano antes. Ainda mais impressionante, a rede ganhou mais de 100 milhões de usuários ativos mensais no último ano.
Tudo isso mostra como pode ser difícil prever o futuro da mídia social. Com esse detalhe em mente, aqui vai uma olhada na bola de cristal para cinco maneiras como a mídia social (provavelmente) evoluirá em 2015.
Sua rede social quer ser sua carteira
Vazamentos divulgados por hackers em outubro mostram um dispositivo oculto de pagamento no fundo do popular aplicativo Messenger do Facebook. Se for ativado pela empresa, ele permitirá que os 200 milhões de usuários do app enviem dinheiro uns para os outros usando apenas informações de cartão de débito, sem pagar taxas. Enquanto isso, a rede também desenvolveu um novo dispositivo de autopreenchimento (uma espécie de Connect para cartões de crédito), que permite que os usuários salvem suas informações do cartão no Facebook para usá-las com 450 mil comerciantes eletrônicos em toda a web.
Mas por que o Facebook quer manipular seu dinheiro em 2015? Neste momento, alguns dos maiores atores tecnológicos estão batalhando no espaço de pagamentos móveis, incluindo a Apple com seu novo app Apple Pay, novatas como Square e Stripe e até veteranos de pagamentos online como PayPal. O fim do jogo não está exatamente claro neste estágio. O Facebook poderá vir a cobrar por seu serviço de transferência de dinheiro, utilizar os dados de compras dos clientes para atrair mais anunciantes ou até tentar rivalizar com os cartões de crédito tradicionais como Visa e Mastercard (que ganham bilhões em taxas). Uma coisa é certa: você verá as grandes redes sociais disputando mais agressivamente para cuidar das suas transações em 2015.
As novas redes proliferam, mas vão durar?
2014 viu a ascensão de várias redes sociais de nicho, muitas construídas especificamente em reação às falhas percebidas nos grandes atores: falta de privacidade, coleta de dados demográficos e psicográficos, anúncios cada vez mais invasivos. As novatas vão de Ello, lançada em março com a promessa de nunca vender dados de usuários, a Yik Yak, que permite que os usuários troquem postagens totalmente anônimas com pessoas que estão fisicamente próximas, e a tsu, que prometeu compartilhar a receita de anúncios com os usuários de acordo com a popularidade de seus posts.
Essas redes vão crescer e se manter? As novas plataformas sociais que tentam imitar a experiência do Facebook enquanto prometem, por exemplo, menos anúncios ou mais privacidade, têm probabilidades seriamente contrárias. O maior desafio -- contra o qual até o Google+ teve de lutar -- é atrair uma base de usuários suficiente para que a rede não pareça uma cidade fantasma comparada com o Facebook e sua pujante comunidade global de 1,3 bilhão de usuários.
Por outro lado, as novas redes que se baseiam em fortes comunidades existentes ou em interesses (redes baseadas em interesses, em oposição a redes baseadas em pessoas no estilo Facebook) têm probabilidades muito melhores. Na verdade, milhares dessas redes já estão prosperando abaixo da linha do radar, desde sites dedicados a cozinheiros e chefs como Foodie a outros para viciados em ginástica como Fitocracy.
As compras finalmente chegam à mídia social
No início deste ano, o Twitter e o Facebook começaram testes "beta" de botões "Comprar", que aparecem ao lado de alguns tuítes e posts e permitem que os usuários façam compras com apenas um ou dois cliques, sem sair da rede. Espere ver as interações de comércio eletrônico e mídia social se aprofundarem em 2015. Na verdade, é até meio surpreendente que isso tenha demorado tanto.
Para começar, essa abordagem elimina um dilema chave que todos os comerciantes enfrentam -- como trazer os clientes até a porta (ou aos seus sites). No Facebook e no Twitter, você já tem um público receptivo, alegremente conversando com os amigos, navegando pelas últimas tendências, compartilhando fotos e vídeos, etc. Quando seus detalhes de pagamento estiverem registrados, as compras estarão a apenas um clique de distância. Depois é voltar para os filminhos de gatos e atualizações dos planos para o fim de semana.
Além disso, como o Facebook e especialmente o Twitter são mídia em tempo real, são perfeitos para negócios de curto prazo ligados a tendências passageiras. Com ofertas por tempo limitado literalmente correndo na sua frente, os consumidores poderão se inclinar a agir depressa e fechar o negócio, descartando a obsessiva compra por comparação que caracteriza muitas transações na internet.
Finalmente, há grandes benefícios para os anunciantes. Conectar tuítes e posts do Facebook individuais com compras reais até agora se mostrou um enorme desafio analítico. Mas, com o advento dos botões Comprar, números de receitas concretos podem ser ligados a mensagens específicas na mídia social de uma maneira que até hoje não era possível.
Dispositivos inteligentes ficam mais sociais
Sensores baratos levaram a uma explosão de dispositivos inteligentes. Desde eletrodomésticos como termostatos, balanças de banheiro e refrigeradores a usáveis como braceletes para ginástica e relógios inteligentes hoje coletam dados e os despacham sem fio para a internet. Muitos desses equipamentos também enviam notificações para Facebook, Twitter e outras redes, uma tendência que continuará em 2015. A questão é: isso é bom? A perspectiva de legiões crescentes de máquinas de lavar, alarmes de incêndio e faixas de ginástica cuspindo posts do Facebook não é exatamente animadora.
O desafio em 2015 passa a ser como integrar de maneira mais inteligente a Internet das Coisas, em rápido crescimento, à mídia social. Em suma, os dispositivos inteligentes precisam melhorar sua inteligência social. Isso poderia começar utilizando os gráficos sociais dos usuários -- sua rede única de amigos e seguidores -- de melhor maneira. Um exemplo muito simples: uma geladeira inteligente que rastreia seus Eventos no Facebook vê que você está planejando uma festa e quantas pessoas confirmaram presença e o avisa para comprar mais cerveja. Escutando a mídia social de maneiras mais sofisticadas -- rastreando as atividades e interações dos usuários com amigos e seguidores, e depois respondendo adequadamente --, os dispositivos inteligentes deverão ficar ainda mais espertos no próximo ano.
Ilusão de privacidade na mídia social dá lugar à coisa real
2014 viu várias redes sociais anônimas e efêmeras - Snapchat, Secret, Whisper, Yik Yak e Telegram, para citar só algumas - crescerem em popularidade. Nem todo mundo quer que cada conversa sua nas redes sociais seja divulgada para o mundo, afinal. Ao mesmo tempo, os usuários inteligentes estão cada vez mais conscientes - e preocupados - com as maneiras como os dados pessoais são coletados e mais tarde vendidos para anunciantes, manipulados em testes ou acessados por órgãos do governo.
O problema é que poucas dessas redes "particulares" cumprem suas promessas. A Snapchat foi invadida várias vezes e centenas de milhares de fotos de usuários foram postadas na Internet. Em outubro, foi revelado que a rede anônima Whisper estava na verdade salvando as postagens e localizações dos usuários e compilando essa informação em uma base de dados pesquisável. Como indica o site Venture Beat, é extremamente difícil ter anonimato e privacidade reais na internet. Enquanto é fácil fazer promessas, é quase impossível cumpri-las.
Mas a demanda por redes sociais anônimas vai crescer em 2015. Na verdade, há sinais de que até os principais atores começam a reconhecer essa questão. Em outubro, o Facebook apresentou seu novo aplicativo de bate-papo Rooms, que permite que os usuários criem salas de bate-papo em torno de interesses comuns, sem exigência de declarar seu nome ou sua localização. Entretanto, em novembro, o Facebook tornou-se o primeiro gigante tecnológico do Vale do Silício a oferecer apoio oficial ao Tortura, o poderoso serviço de "anonimização" de fonte aberta - popular entre jornalistas, dissidentes políticos e policiais -, que permite aos usuários esconder sua identidade, localização e histórico de navegação.